Recebi agora este mail:Bom dia a todos, A minha filha XXXXXX de 7 meses frequenta um colégio na XXXXX que se chama "Colégio - XXXXXX" desde o final de Setembro deste ano, na passada sexta feira recebi um telefonema ás 16h45 onde a Educadora XXXXX (que fica com ela diariamente) me disse que havia um problema com a XXXXXX mas que não era grave, que tinha ido fazer as camas e a tinha deixado num compartimento ao lado com um miudo que ainda não tem 1 ano, mas que já anda e que por questão de segundos, qdo olhou viu que ele a tinha arranhado na cara. Disse tb que me estava a telefonar para que, qd eu chegasse,visto que ela já teria saído, não ficásse a pensar algo de mal. Eu perguntei se ela achava bem deixar uma criança com 7 meses sózinha com outra e que já era a segunda vez (a 1ª vez qd cheguei ao infantário sem avisar a hora, ela estava com os mais velhos sentada numa cadeirinha e sózinha, ao que na altura a educadora XXXXX se desculpou que só tinha ido lá dentro buscar uma coisa, e eu acabei por dizer só que não gostei e que não se repetisse), a Educadora XXXXX desculpou-se e disse-me que não se iria voltar a repetir. Eu fui imediatamente pedir ao meu patrão para sair, mas pensando que eram só um ou dois arranhões, o que não se admitia na mesma, mas não era tão grave. Qd cheguei ao infantário, a XXXXX estava cheia de hematomas, 2 na cabeça ao pé da moleirinha, 2 nas fontes, cinco pequenos na testa e no nariz como se tivesse sido apertado, a Educadora já tinha saído. Fiquei chocada e pedi para falar com a directora ou alguém responsável, como era de prever não estava ninguém. Falei com a Educadora XXXXX e disse-lhe que não admitia tal coisa e que ia fazer queixa. Fui para casa e recebi um telefonema da Directora para saber o que se tinha passado, dizendo que gostava de a ver para saber como estava. Combinámos em frente do colégio, ela viu a XXXXX e ainda me disse que pensava que fosse pior, mas que de qualquer maneira não se admitia e ia falar na segunda feira com a Educadora , visto na altura ela só estar a tratar da XXXX e do outro menino , e como tal, não se podia ter descuidado. Das 2, 1, ou foi algum adulto que lhe bateu, ou ela foi deixada durante mto tempo sózinha com a outra criança que, provavelmente lhe bateu com tudo o que tinha á mão e fez dela saco de porrada (expressão da médica do Centro de Saúde). Levei a XXXXX ao Centro de Saúde de Rio de Mouro, onde foi encaminhada para o Hospital Amadora-Sintra e fez exames. Felizmente não acusaram sequelas, a marca da cabeça está neste momento a criar crosta Foi feito um relatório médico e no sábado apresentei queixa na GNR de Mem Martins e tirei-a imediatamente do infantário. Vou fazer tudo o que possa para denunciar o que aconteceu á m/ filha. Peço-vos, por favor, e como mãe, para passarem este mail a todos os vossos contactos, na esperança que chegue a alguma caixa de e-mail de algum pai que tenha filhos neste colégio. Muito obrigado.Concordo plenamente com o mail e acho inadmissivel que duas crianças destas idades tenham sido deixadas sozinhas.
No entanto deixo aqui o meu ponto de vista, dado que também sou educadora de uma sala com 13 meninos entre os 18 e os 36 meses.
Não defendo de forma alguma a atitude da minha colega, considerando que é 100% culpada do que se passou.
Agora pergunto a esta mãe se que considera que todo pessoal docente da intituição é culpado pelo que se passou com a sua filha?
Pergunto-lhe qual será minha culpa, quando a minha colega da sala ao lado tem uma atitude de negligencia para com alguma das suas crianças?
Por outro lado confesso que também já passei por pequenos incidentes onde há "dentadas" e pequenos "arranhões" típicos destas idades. E já tive más reacções por parte dos pais, que por desconhecimento (penso eu), consideram que crianças destas idades nunca têm atitudes semelhantes.
Passo a explicar, que na primeira infância (do nascimento aos 3 anos) as crianças ainda não estão dotadas de uma capacidade de comunicação que lhes permita resolver sempre os problemas de uma forma socialmente aceitável, ou seja, partem com facilidade para atitudes menos correctas. Sendo a boca um dos primeiros "utensílios" de exploração do mundo, temos a dentada uma forma de resposta "fácil" face a uma situação de conflito.
Temos também atitudes como "bater" ou arranhar que são nada mais nada menos do que respostas "preenchidas" de alguma agressividade por parte de quem ainda não sabe expressar-se se outra forma, nem sabe ser socialmente correcto, numa fase da sua vida em que impera o egocentrismo.
Por outro lado, peço especial atenção para os pais que assistem impávidos e serenos a atitudes agressivas dos seus filhos para com os outros ou menos para consigo próprios, sem mostrar qualquer tipo de desagrado. Já assisti a casos de pais e mães cujos filhos levantam a mão, atitude que é "aceite" pelos progenitores e muitas vezes reforçada com um sorriso acompanhado do tipíco comentário: "ainda é pequenino".
Repito mais uma vez, que esta mãe está coberta de razão e que penso que houve neglicência por parte da colega, se os factos forem tal como foram relatados. No entanto sublinho que não se pode generalizar a todas as pessoas da instituição. E digo, como educadora, que nem sempre é facil conseguir estar em todo o lado ao mesmo tempo de forma a evitar que pequenos incidentes aconteçam.
E digo isto de consciência tranquila, pois adoro e repito que adoro mesmo cada um daqueles meninos, com quem passo grande parte dos meus dias. Que vejo crescer e que me fazem crescer com eles, por isso fico triste quando algum pai ou mãe possa pensar que simplesmente não nos importamos dado que não são nossos filhos.
Mamã da menina em causa: dou-lhe 100% de razão, mas peço-lhe algum cuidado com os extremos, pois dentro de cada educadora também há uma pessoa.